10/03/09

NEWS

Bem,não atualizo isto aqui há uns três meses...
Deu tudo certo,tenho um bebê lindo. A cesárea foi bem dolorida como já era esperado, mas minhas roupas de antes da gestação já começam a me servir.O que é um alívio, pois está chegando o inverno.
As mazelas da vida seguem, irrevogáveis, eu sigo um ser chorante, quase um emo passado de época, mas assim como as mazelas eu também reluto em mudar.
O dinheiro continua sendo sempre um problema,não se tem,não se tem como conseguir e se acha de vez em quando pelas farmácias da CB.
Assim como o último post este também se dá às vésperas de algo temeroso p mim: aos 23 anos nunca extrai um dente. E agora que vou colocar aparelho, tenho praticamente uma coleção deles para remover. Temo a anestesia,temo a cirurgia, a recuperação, tudo. Tenho duas filhas pra criar. Tenho que temer. Mas apesar disso, tenho uma boca suja a consertar. Para que ela possa proferir seus palavrões mais elegantemente...
FILHOs DA PUTA!

06/12/08

the last day on earth

Provavelmente esta é a última coisa que vou escrever antes de ir pro hospital. Ouço theme for a summer place. Bem doente hehehe.
Não sei muito o que esperar na verdade, além de dor, desconforto e algo mais.Histeria talvez. Passei nove meses temendo por isto. E a vida inteira temendo o que já me aconteceu duas vezes. No final, tudo o que há pra fazer, é enfrentar a coisa toda. Não há pra onde fugir de uma coisinha que está crescendo na sua barriga há quase um ano. Te privando de tantas coisas. No início é só o álcool e o cigarro. Depois longas caminhadas. Depois uma noite de sono tranquila. E assim segue-se, dia após dia, perguntando-se qual o motivo e sentido das coisas.
Da infinita solidão. Do marido que também se arrepende. Da vida junkie que se deixa pra trás.
/Nunca mais vou sair./penso./Nunca mais vou poder ir ao cinema/
Toda minha imensidade passional já se espalha nos meus filhos. Mulheres tão caóticas quanto eu. Quero que elas sejam felizes apesar de tudo. É sempre o que se quer.
Não se foge da maternidade. Fardo e dor que já vem plantados no ventre.
Que tudo dê certo. Que eu não padeça muito, afinal tudo é carne eu sei.
Serei grata a todos que me aturarem neste período de indócil recuperação.
Muito amor aos três homens em conflito.Agora e sempre.Esteja onde eu estiver.

29/09/08

My name's Earl

* bem, isto não foi esta semana...foi escrito acho que há um mês atrás, mas por falta de recurso estou postando só agora...*


Esta semana meu marido descobriu um seriado muito bom. Não temos tv a cabo, então ficamos realmente por fora das novidades.Lembro que ele já tinha dado uma olhada na capa daquele box anteriormente, mas eu não quis levar. Achei que era alguma daquelas coisas que ele se interessa, como drogas carros e futebol e que acabaria me chateando.
Mas, como passamos por dias realmente difíceis esses tempos, meu filtro estava meio avariado, então trouxemos o disco da primeira temporada de MY NAME IS EARL.
Logo de cara pensei que era algo meio Bukowski, pelo jeitão do cara, camisa de flanela, cigarrinho no bolso, barba por fazer, típico marginal urbano.
O que eu não imaginava, é que esta fórmula simples escondia uma idéia bastante interessante: depois de uma vida crimes, assaltos, bebedeiras e filhos ilegítimos, Earl resolve que vai consertar tudo que já fez de errado na sua vida. Assim, quem sabe, as coisas melhorariam para ele.
Bem, todos nós já tivemos este tipo de convicção em algum período realmente bad da vida eu acho, mas a diferença consiste em que na maioria das vezes a decisão é apenas corrigir-se apartir daquele momento em diante e não mergulhar em um longo passado de erros, que é exatamente o que ele faz.
Com uma lista de duzentos e poucos itens, ele tenta recompensar as pessoas para as quais ele fez mal. Isso me fez pensar, bom, se tem um número x de problemas a serem resolvidos, a série tem um fim previsto, mas, o que fui percebendo, é que a medida que ele se empenha para riscar o próximo item da lista, novas coisas vão surgindo.
E ele sempre acha que se a coisa não está devidamente resolvida, o carma logo lhe dá uma resposta negativa e imediata na sua vida pessoal. Ah! E o detalhe é que ele não entende nada sobre carma, nem sequer leu sobre o assunto, ele apenas viu um homem que era entrevistado em um programa de auditório usar a palavra e se inspirou.
Não sei muito sobre a série ainda, não tive paciência de ouvir o comentário em áudio do criador, mas fiquei certa de que posso assisti-la em qualquer estado de espírito, pois é uma comédia inteligente e não apelativa.

15/09/08

Grandma take me home

Me sinto tão triste de estar longe das pessoas que eu amo...Sempre há algo para fazer, trabalhos para entregar, compromissos inadiáveis, segredos e quem sabe até mentiras.
Mas, eles sempre estão lembrando de mim, de alguma forma... O ruim é que ao mesmo tempo que isto deixa-me feliz também me entristece. Porque eu não posso estar lá o tempo todo. Porque eles têm uma vida, eu sei, mas também sei que minha companhia poderia ser útil!
O que acontece é que na maioria das vezes estou só. Assim como eles também estão.
Desde que aprendi o que significava, a distância foi dura pra mim. E sua iminência, me aterrorizava. Até hoje não sei como lidar com isso. Simplesmente choro. Por não ouvir suas vozes, por não partilhar seus dias.
Sou uma maldita duma piegas, e esta é a verdade. Como diria o Jake Chambers da Torre Negra. Ou " sou um animal sentimental " como canta Renato Russo naquela letra de música.
Infelizmente nunca pude experienciar viver tal como sou. Ser aquela pessoa meiguinha. dócil e despretensiosa que qualquer um quer ter por perto.
Sempre tive que ficar na defensiva, espada em riste esperando o próximo golpe, a próxima traição, o próxima tapa. Pois tudo o que me rodeou nos momentos em que eu formava minha personalidade foi gente que não prestava.
Minha essência passional atrolhada por um monte de lixo. Podridão humana. Daquela que te junta pelo prazer de te chutar logo após.
Cresci mesmo assim. Me tornei uma mulher amarga, pessimista e vingativa. Embora nunca conseguisse alcançar a transformação completa; de boazinha à perversa. Então subsisto no meio das duas coisas. Tomando decisões extremas, sendo negligenciada e agredida.
Agora, é um momento destes para mim, de extrema solidão. De silêncio dolorido, onde só o cachorro me observa brincando no meio dos cobertores.
Espero ligações que não acontecem, encontros que são desmarcados, planos desfeitos e o que tenho de mais belo me é levado.
Espero a porta que não se abre, o carinho que não chega e o consolo que atrasa. Consolo que tortura antes de vir, testa minha resistência. E quando vem, é forçado, de má vontade.
Quem sabe haverá ainda um momento próspero me espreitando...
Quem sabe o homem branco ainda tombe a tempo de eu acender um cigarro.
Quem sabe ele morra com dois Luckystrikes enfiados nos olhos.
Quem sabe eu deixe de ser aquela que dá as mais belas dádivas àqueles que não merecem; filhos, netos e afins.
Desculpem-me pelo meu fértil ventre.

11/09/08

Marido fatalista

Queria poder escrever sobre estrelas brilhantes e campos verdejantes; belezas miúdas e paisagens paradisíacas; mas a ficção, creio eu, é impressa sob a realidade; nela se inspira e dela se compõe.
E a verdade, é que isso não passa de mero devaneio, divagações. Porque nada do que deságua aqui é ficção.E além do mais,até a minha ficção é contaminada da minha verdade.
Tenho um marido por demais fatalista.
Agora acho que viram os porquês de meus preâmbulos.Tudo o que eu queria dizer é que gostaria de ter melhores assuntos para dissertar do que as agruras do casamento. Porém, tudo o que tenho são lamentações. E das mais tristes.
Aqui vai: ele pensa que simplesmente não há porquê se ter cuidado comigo. Ou melhor, com a familia dele, uma vez que estou grávida.
“ Porque se as coisas tiverem de acontecer, simplesmente acontecerão! Diz ele. À noite, numa manhã de sol, não importa o horário.E ele usa este pensamento estúpido e egoísta, para justificar sua ausência em todas situações.
Eu não sei qual a parte do zelar e proteger, caçar e acolher, do papel dele de homo sapiens- macho, ele não compreendeu. O que ele quer é ficar lendo uma revista de curiosidades, enquanto a mulher dele pode ser assaltada, estuprada ou qualquer outra coisa na rua.
E por quê?
Porque pra ele, isso pode acontecer a qualquer momento, com, ou sem ele.
Não que eu pense que ele é um super herói, corajoso, e muito menos que me defenderia de algo, realmente. Quem sabe ele até sairia correndo e me deixaria sozinha! Mas a gente tem que acreditar em alguma coisa! E somente esta perspectiva de que a pessoa que vive comigo me deixaria sozinha em uma situação de dificuldade, me deixa aflita e cheia de mágoa.
O casamento é uma eterna reconstrução. Sentimentos se destroem e lutam para se refazer todos os dias, ferida por cima de ferida. Nada nunca cicatriza realmente. Porque quando achamos que podemos se recostar, respirar fundo e fechar os olhos, vem um novo ataque. Nem bem o anterior tinha caído em esquecimento.
E que tal tentar resolver as coisas com diálogo?Ah! Sem dúvida a chave preciosa para todos os conflitos!
Tenta-se, é claro, mas veja a coisa como uma via de mão única: homens nunca querem partilhar queixas, angústias ou possibilidades de um futuro melhor. Querem viver no mundo da lua, dar um basta à qualquer tentativa civilizada de conversa com uma palavra estúpida e voltar às suas idiotices cotidianas, sejam carros, futebol, música, tv ou seja lá o que o estrupício em questão se interesse.
Meu Deus, é algo tão óbvil! O fato de que uma mulher desacompanhada é mais vulnerável à qualquer coisa! E mesmo que não haja nenhuma monstruosidade urbana, eu estou com uma barriga gigantesca! E se eu passo mal?Se levo um tombo? Onde vai ficar a cara de tacho dele quando algo acontecer?Vai colocar a culpa em mim, como ele faz quando não quer assumir as próprias cagadas?Como disse para mulher do rh do serviço dele, que não atendeu o telefone naquela tarde porque eu não deixei. Quando foi justamente o contrário. Eu disse que era do serviço, que ele deveria atender e ele não quis. Escondeu o telefone de mim. Preferiu me deixar desconfiada do que fazer o que qualquer ser humano sensato faria: atender o telefone.
E por quê? Eu não sei. Se você souber, me diga.
Mas mudando de assunto, eu acho que é exatamente isso que ele vai fazer quando algo de ruim acontecer.
É. Exatamente isso. Não vai nem atender o telefone.

29/08/08

Papai-Noel, mentiras desfeitas e corações despedaçados

Como se desfazem os lares? Eu me pergunto neste fim de tarde. Será com um beijo mal dado? Uma informação omitida? Ou com o primeiro tapa? Muitos dizem que é assim, quando começam as agressões, porque daí, dizem, já perdeu-se o respeito. Mas eu me pergunto, qual será o ato, o pequeno detalhe, a falha que inicia a grande destruição?A devastação da vida de duas pessoas que se uniram previamente, com um único objetivo em comum: amarem-se e respeitarem-se, como prega o catolicismo, a lei, e acima de tudo, o bom senso.
Será que é este o camarada que falta? O bom senso? Ou será que depende de cada caso?
Alguns diriam que o grande problema que aflige os matrimônios é a infidelidade. Mas isto na minha sincera opinião vem a ser diferente. Porque trata-se da transgressão de uma idéia puramente humana, que é a monogamia. Não fomos moldados a este comportamento. Como legado da nossa origem, a única coisa que permanece intacta é a ordem do criai-vos e reproduzi-vos. Macete inerente à espécie. Não adianta fugir. A não ser que não se faça sexo, um dia, derradeiramente você vai se tornar pai, ou mãe. Porque a vida é muita longa para cuidados constantes. Sempre haverão falhas ou descuidos, camisinhas vão estourar ou serão deixadas de lado, períodos férteis facilmente ignorados, pílulas esquecidas e até mesmo métodos contraceptivos mais radicais como vasectomia ou ligamento podem milagrosamente se reverter no momento mágico da concepção. Quando aqueles bichinhos horrorosos seguem em disparada para gerar uma nova vida, sem avisar ou pedir permissão à ninguém. Sem dúvida, constituem o exército mais subserviente de Deus.
Logo, cogito que o estopim para a desordem inicial dos casamentos, deve ser causado por um misto de emoções que se revelam. Porque estar com alguém, é descobrir-se. São ordens impostas, deveres para serem administrados diariamente, concessões a serem feitas...É dormir com um estranho e em muitos dias com um inimigo.
Portanto, acho que o amor incondicional é a mais bela piada de todos os tempos. Contada com um romantismo excessivo, quase humilde. Pois dizem também que ele só existe da mãe para com seus filhos, o que é uma grande desculpa. Estreitar um sentimento a um único tipo de relação! É mais fácil assim, dessa forma se evita culpa, rancor ou frustrações. Em outras palavras, você inicia um relacionamento e está tudo bem se a pessoa disser: “ Ei, não espere amor incondicional de mim, pois você sabe muito bem que isto só existe entre mães e filhos, assim como o Papai-Noel é uma jogada de marketing,. “
E o que devem fazer os malditos infelizes que amam desta forma?
Enforcar-se? Tornar-se workaholics?
Onde as pessoas frágeis e sensíveis devem buscar consolo?
Na igreja? Na bebida? Na imoralidade?
Com certeza, nascemos e morremos sozinhos e não necessitamos estar atrelados a ninguém durante este meio tempo para sermos felizes. É possível concentrar-se apenas em projetos pessoais, dedicar-se àquelas coisas que acalentamos muito tempo durante a nossa vida e que desejamos ver concretizadas antes de partir. É possível sim, eu sei. É mais possível do que achar uma única resposta para meu questionamento desesperador; o que faz as mais belas famílias se corromperem?
Mas dizem também, que a melhor maneira de abandonar um vício é adquirindo outro. Então me valendo deste exemplo, vou deixar a minha pergunta inicial de lado e substituí-la por outra:
O que será que nós, quando crianças colocamos no lugar das melhores coisas em que acreditávamos quando descobrimos que não são verdade?
Por Deus o que?

24/06/08

Três meses em branco...Até parece que não vivi todo este tempo.Mas é a velha ladainha da falta de material, falta de acesso para pôr em prática o que gosto de fazer; escrever. Devo já ter falado sobre isto antes, mas faz parte do meu estilo ser repetitiva e insistente. É fóda mesmo. Enquanto tem um monte de otário publicando livro apartir de blogs eu fico em casa vendo a vida passar de braços cruzados.
Não dá pé escrever à mão. É muita coisa, muita idéia. E depois passar pra cá como?Alugar o computador e o respectivo saco de alguém pra que eu possa digitar as minhas coisas e depois ir até uma lan house postar??Sim, pq os terminais públicos não permitem a transferência de arquivos.

Mas deixando a minha autopiedade de escritora mediucre de lado,vamos passar a autopiedade barra vida. Sim, porque estou grávida. E mais uma vez um dos motes preferidos do Stephen King se faz presente na minha vida!
denovo e denovo pq o inferno é a repetição.
Não adianta, ele é o rei. Isto equivale a uma rosa é uma rosa é uma rosa da Gertrude Stein.Frase que inclusive tem toda uma significação na Torre Negra.
Mas, como diria o Tiago, estou ESCAPISTA hoje!

Sim, "I don't know what to do with myself...tandandã!!!!
planning everything for two"

03/04/08

Deus que me perdoe...

Os últimos dias têm sido fóda.Minha mãe esteve hospitalizada para operar um tumor na cabeça. O hbospital é decadente,sobrevive de doações dos outros hospitais. Dá pra fazer a filmagem de um curta de terror lá, tamanha é a decadência.
Eu recentemente tinha lido um livro de tema parecido, O patrimônio de Philip Roth, no qual ele narra os momentos difíceis da doença do pai de 86 anos, velho demais para operar o tumor no cérebro que cresce e danifica tudo. Achei-o meio indigesto, por causa da grande descrição dos sintomas, consultas e fatos. Tipo, uma corrida para a morte. Um amigo meu havia comentado algo semelhante de um livro mais recente do mesmo autor, O homem comum e sei lá, deve haver alguém que gosta desse tipo de coisa. Eu nem vejo o House, por causa disso, é tipo um Plantão médico, Robin Cook essas baboseiras. Não tenho paciência, a ironia dele não me compra.
Bem, minha mãe ficou lá por quase quinze dias aguardando uma suposta reunião que definiria o futuro dela, pra no final o neurologista dizer que nos exames feitos no hospital, não havia aparecido tumor algum. Ela voltou pra casa e pro trabalho no dia seguinte a isso.
Eu fiquei em casa, obrigatoriamente pelo bem da minha filha, aturando o maldito marido dela, o qual ela não quer se separar de maneira alguma. Depois eu é que tenho que ir pro MADA. Que hipocrisia.
Durante sete anos ela argumentou pra que eu largasse o traste que era meu namorado, e eu nem enxergava o péssimo exemplo que ela me dava.
Ô familiazinha de merda, Deus que me perdoe!

15/03/08

Casa de passagem

Faz tanto tempo que não atualizo isso aqui...O velho problema de escrever e ter que digitar em algum lugar depois.Uma casa de passagem, qualquer cantinho acolhedor, um telecentro público ou uma lan house mercenária. Pois é. Escritor pobre dos tempos modernos. Cheio de idéias, projetos mas impossibilitado de executá-los...Tudo o que há é o velho caderno e a caneta bic. E o brasileiro desgraçado que com toda a certeza não desiste nunca.
Andei adoentada.Dores abdominais, enxaqueca de dois dias sem ter ingerido um pingo de álcool. Daquelas de tomar três comprimidos seguidos e ainda acordar com a maldita. Enjôo. Menstruação atrasada. Desespero.
Assisti o filme Juno esses dias. É engraçadinho, mas não tudo aquilo que apregoaram os tablóides. A típica comédiazinha inofensiva americana. Mas serviu pra reafirmar o que eu já sabia: não estou pronta para uma nova gravidez.
Foi um amontoado de más experiências, sinto dizer e agora preciso do tríplice de segurança, de retorno, de carinho...Conversei com meu marido sobre isso ontem. Que me assusta a vontade que ele tem de ter filhos.Tipo, sei que uma hora ou outra vai acontecer!Ou por descuido,ou porque vou ter que fazer isso por ele...
Mas talvez também seja aquela convicção de ter um direcionamento na vida antes...De conseguir me achar, me envolver no que eu quero, que está sendo tão difícil! Cresci com tudo na cabeça direitinho, com muita ansiedade!Não rodar no colégio, não me atrasar em nada!Com doze anos eu já queria trabalhar e sair de casa porque não aguentava meu pai.E pra quê?Foi só chegar aos 17 que milhares de obstáculos se impuseram, graciosos na minha frente. Levando toda minha infância. Todo meu castelinho. Que não era de areia, mas de muito sangue derramado em vão.
A vida é mesmo filha da puta, não há outro jeito.Quem sabe décadas mais prósperas virão.Quem sabe um novo tsunami.Ou o apocalipse. Quem sabe. só nos resta esperar. E acreditar nas mentiras que nos contam. Pois acredite, é tudo o que há. E eu não estou mentindo,você bem sabe...

19/02/08

Ela, sou eu.

Presa numa relação perfeita. Ela que já tanto sofrera, nunca esperara isso. Logo ela.
Marido atencioso, dedicado, do tipo, que estica ao máximo sua tolerância no exercício de fazer feliz. De fazê-la feliz.
E ela tinha uma necessidade imensa de retribuir enfim, todo esse amor que ele lhe prestava, cuidando-a, adulando-a, enchendo-a de carinhos e conforto apesar de todo e qualquer mal tempo. Um Mahatma Gandhi in love. Porém, ela sabia que era imperfeita nesta tarefa. Pois todo o desespero que sempre preenchera sua vida não a deixava.
O choro incontido durante as refeições quando era pequena. As lágrimas pingando de seu rosto e misturando-se ao branco do arroz, salgando-o. Aquele simples gesto que sua mãe fora incapaz de fazer.
O choro convulsivo que de cansaço, fazia dormir. O choro da surra. Do não-merecido. O choro da não-explicação. Da perda. De não matar os que deveriam morrer.
E agora este menino pleno de desejos, de sorrisos, que quer constituir família, que quer ser amado. Menino, porque a vida lhe preservou isso. O acreditar em coisas tão delicadas, tão difíceis e tão humanas.
E sim, ele lhe faz companhia. Para todo o seu desespero.
Pois uma mulher sempre sabe da sua capacidade de ainda amar. De satisfazer. De tornar feliz um homem. E esta mulher é tão fraca que deixa transparecer suas angústias, seus medos...
Tantas vezes que não conseguia nem lhe explicar, tornava-se hostil, distanciava-se durante semanas. Temia aquilo não ser dela, não ser pra ela, apenas um erro do que os tolos chamam destino.
Aquele homem simplesmente não podia ser seu.
Os amigos aprovaram, e ele aceitou os amigos! Isso até então, era algo que ela desconhecia. (Todos os seus ex se esmeraram na arte de ser um troglodita) É claro, que existia um certo ciúme, mas era contornável, o que a encantava ainda mais.
Sua família, ou o que havia lá representando tal posto, chegava a reclamar de brigas bobas, prezava o bom relacionamento.
Seu bebê nomeou um pai. O que a deixou realmente muito, muito feliz, porém mais desesperada. Porque impregnou a relação de responsabilidade.
E agora?
Em todos os dias que podia se permitir, relutava a sair da cama. Meio-dia, uma da tarde, duas, três. Sempre foi assim. Até trocar totalmente a noite pelo dia. Ir dormir às dez da manhã. Nos áureos tempos de dor, era para evitar contato exterior. Pois na madrugada, estava sozinha. Livre de vozes que feriam e mãos que se atreviam. Podia ler, pensar, escrever, desenhar. Olhar e respirar a noite. Contemplar as janelas acesas dos prédios ao longe e imaginar consigo mesma o que aquelas pessoas deveriam estar fazendo acordadas. Ou se era só uma luz enganativa. Luz de ambiente, luz esquecida. E assim, não sentia-se sozinha. Ao contrário das muitas noites que futuramente passou acompanhada, mas que efetivamente estava sozinha. Apenas com um corpo roncante.
E são todas essas coisas que enchem seu olhar de tristeza. E o menino indaga, e fere; porque ela sabe, que ele não merece.Apesar de todas as mudanças e do bem que ele insiste em afirmar que ela lhe causou.
Quem sabe ela o curou pra que ele depois a curasse...Quem sabe a vida pregue tantas peças até que se desacredite dela completamente, quem sabe.
Ela sabe que agradece todas as noites e manhãs; quando abre os olhos e lembra que ele está lá. Pendurado na linha esperando. Estendendo a mão pra que ela se levante e vá até ele. Pra que retorne à vida todos os dias. Onde quer que ele esteja.